Há alguns anos, a ideia de comprar praticamente qualquer coisa sem sair de casa e recebê-la diretamente na porta parecia uma realidade quase utópica. Hoje, porém, essa “utopia” não apenas se tornou possível como já faz parte da rotina de milhões de pessoas. De roupas, eletrônicos e eletrodomésticos até as refeições do dia a dia, quase tudo pode ser comprado pela internet e entregue em poucos cliques.
Toda essa comodidade, no entanto, também trouxe novos desafios, especialmente para os condomínios, onde o fluxo constante de entregadores e encomendas passou a fazer parte da rotina. E é justamente nesse cenário que criminosos encontram oportunidades para aplicar diferentes tipos de golpes, colocando em risco a segurança dos moradores.
Neste artigo, você vai conhecer os principais golpes em entregas em condomínios, entender como eles funcionam e conferir medidas que podem ajudar síndicos, funcionários e moradores a evitá-los.
Quais são os golpes em entregas em condomínios mais comuns?

De falsos entregadores à cobrança de taxas inexistentes, os golpes em condomínios podem assumir diferentes formas. Em comum, eles costumam explorar a rotina movimentada das portarias e a confiança de moradores e funcionários para obter dinheiro, informações pessoais ou até mesmo acesso ao condomínio.
A seguir, conheça alguns dos golpes mais comuns e entenda como eles funcionam.
1. Falso entregador
Um dos golpes em entregas em condomínios mais conhecidos é a tentativa de acesso utilizando uma entrega como justificativa.
A pessoa pode chegar à portaria com uma embalagem, mochila ou uniforme semelhante ao utilizado por profissionais de aplicativos e informar que possui uma encomenda para determinado apartamento.
Muitas vezes os criminosos podem ter acesso a informações sobre uma entrega que realmente está sendo aguardada pela vítima e utilizá-las para tornar a abordagem mais verossímil.
Em uma das estratégias, por exemplo, o golpista se antecipa à entrega verdadeira e chega ao endereço se passando pelo entregador responsável pelo pedido. Como a encomenda está de fato sendo aguardada, a portaria ou até mesmo o próprio morador pode não desconfiar da abordagem e acabar seguindo as orientações do criminoso.
O problema ocorre quando o acesso é autorizado sem que a entrega tenha sido confirmada. Uma vez dentro do condomínio, o indivíduo pode circular pelas áreas comuns, observar a rotina do local ou, no pior dos cenários, invadir alguma unidade e furtar bens dos moradores.
2. Golpe da taxa extra na entrega
Diferentemente do golpe do falso entregador, em que o objetivo geralmente é conseguir acesso ao condomínio, nesse caso, a intenção do criminoso é obter vantagem financeira imediata da vítima por meio de uma cobrança indevida.
Para isso, o golpista se apresenta como entregador e informa que existe uma taxa adicional que precisa ser paga para que o pedido seja entregue. A cobrança pode ser justificada como uma diferença no valor do frete, uma taxa de entrega ou até uma tarifa para liberação da encomenda.
Novamente, o fato de o morador realmente estar aguardando uma entrega pode tornar o golpe mais convincente.
3. Golpe da maquininha

O golpe da maquininha costuma ocorrer quando o consumidor opta por realizar o pagamento do pedido no momento da entrega.
Ao chegar ao endereço, o entregador informa o valor correto do pedido verbalmente, mas insere na maquininha uma quantia superior. Se o consumidor não conferir o visor antes de aproximar o cartão ou digitar a senha, pode acabar autorizando um pagamento muito maior do que deveria.
Em algumas situações, o criminoso também pode utilizar máquinas com o visor danificado ou dificultar propositalmente a visualização do valor cobrado. Por isso, conferir o valor exibido na maquininha antes de autorizar qualquer pagamento é uma das principais formas de evitar esse tipo de golpe.
4. Falsa entrega para obter informações sobre o morador
Nem sempre o objetivo dos golpes em entregas em condomínios é obter dinheiro ou acessar imediatamente o condomínio. Em alguns casos, a falsa entrega é utilizada como pretexto para coletar informações sobre determinado morador e sua rotina.
O golpista pode chegar à portaria com uma suposta encomenda e fazer perguntas aparentemente inofensivas, como se o morador está em casa, em qual horário costuma chegar ou quem vive naquela unidade. Essas informações podem ser utilizadas posteriormente para planejar outros crimes ou novas tentativas de fraude.
5. Links e mensagens sobre falsas entregas
Os golpes envolvendo entregas em condomínios também podem acontecer sem qualquer contato presencial com a vítima. Nesse caso, criminosos enviam mensagens por SMS, WhatsApp ou e-mail informando sobre uma suposta encomenda que precisa de alguma ação para ser entregue.
A mensagem pode afirmar, por exemplo, que o pedido está retido, que houve um problema com o endereço ou que é necessário pagar uma taxa para liberar a entrega. Para resolver a situação, a vítima é orientada a clicar em um link que direciona para uma página falsa, muitas vezes semelhante ao site de uma transportadora ou loja conhecida.
O objetivo pode variar entre obter dados pessoais e bancários, capturar informações de pagamento ou induzir a vítima a realizar uma transferência. Assim como em outros golpes, a abordagem tende a ser mais convincente quando a pessoa realmente está aguardando uma encomenda.
Como evitar golpes em entregas em condomínios?
Evitar golpes em entregas em condomínios exige atenção tanto da administração e dos funcionários do condomínio quanto dos próprios moradores. Afinal, como vimos, algumas fraudes exploram falhas no controle de acesso, enquanto outras têm como alvo direto os moradores.
Por isso, a prevenção deve combinar procedimentos claros para o recebimento de encomendas, treinamento da equipe e conscientização dos moradores. Confira algumas medidas que podem ser adotadas:
Estabeleça um protocolo para entregas
Defina como os pedidos devem ser recebidos, onde devem permanecer e em quais situações o entregador pode ter acesso às áreas internas do condomínio.
Confirme a entrega com o morador
Antes de liberar qualquer acesso, a portaria deve entrar em contato diretamente com o condômino para confirmar se ele realmente está aguardando aquela entrega.
Evite a entrada de entregadores
Sempre que possível, estabeleça um ponto de retirada próximo à portaria, evitando a circulação de pessoas desconhecidas pelas áreas internas.
Treine porteiros e profissionais de segurança
A equipe deve conhecer os golpes mais comuns, saber identificar comportamentos suspeitos e, principalmente, seguir os protocolos mesmo diante de insistência ou alegações de urgência.
Não forneça informações sobre moradores
Dados sobre presença, ausência, horários e rotina nunca devem ser compartilhados com entregadores ou outras pessoas desconhecidas.
Oriente os moradores
Campanhas internas podem alertar sobre falsas taxas, golpes da maquininha, links suspeitos e outros cuidados relacionados ao recebimento e pagamento de pedidos.
Conclusão
A prevenção de golpes em entregas em condomínios passa por uma combinação de cuidados: processos bem definidos, profissionais preparados, orientação aos moradores e medidas adequadas à realidade de cada condomínio.
Mais do que agir somente quando um problema acontece, uma boa administração condominial deve identificar vulnerabilidades e trabalhar de forma preventiva para tornar a rotina mais organizada e segura para todos.
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